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Ministério da Saúde susta repasses à Borghi devido à operação Lava Jato

abril 13, 2015

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O Ministério da Saúde decidiu na noite dessa sexta-feira 10 suspender imediatamente qualquer pagamento à agência Borghi/Lowe, uma das quatro que dividem a conta de publicidade do órgão. A Borghi/Lowe é investigada pela operação Lava Jato de envolvimento em corrupção, por cobrança de “bônus de volume” de produtoras repassados a empresas ligadas ao ex-deputado federal André Vargas, preso pela Polícia Federal. Também está em detenção temporária de cinco dias o ex-vice-presidente da Borghi/Lowe, Ricardo Hoffmann, que até o ano passado foi diretor-geral do escritório da agência em Brasília.

A nota de esclarecimento divulgada pelo Ministério da Saúde informa ainda que não irá autorizar novas ordens de serviços para a Borghi/Lowe e criará uma Comissão de Sindicância Administrativa para “avaliar a regularidade da execução do contrato com a empresa”.

Ricardo Hoffmann estava na Borghi/Lowe desde 2007, sempre atuando na capital federal. A agência informa que ele deixou a empresa no fim de 2014. No mês passado, André Gomes, que era diretor-geral da filial carioca, foi promovido a vice-presidente e assumiu o comando dos escritórios do Rio e de Brasília.

Após começar carreira como jornalista, no final da década de 1970, o gaúcho Hoffmann atuou na campanha de Roberto Requião (PMDB) a governador do Paraná. Depois, fez carreira nas áreas de atendimento em agências de Santa Catarina (Propague e MPM) e Paraná (Exclam e Master). Mudou-se para Brasília em 1994, para comandar a equipe da Master na capital federal, e depois passou por DM9, Fischer, NewcommBates e Carillo Pastore. Sua especialidade eram as contas públicas.

Nos últimos sete anos, a Borghi/Lowe ganhou grande espaço nessa seara, saltando da 13ª posição no ranking Agências & Anunciantes em 2007 para a 2º em 2013. Atualmente, a agência atende na esfera federal: Caixa, Ministério da Saúde, BNDES e BR Distribuidora. Dados do Portal da Transparência dão conta de que a agência faturou R$ 112 milhões entre 2011 e 2014 com o atendimento ao Ministério da Saúde: R$ 7,8 milhões em 2011, R$ 32 milhões em 2012, R$ 45 milhões em 2013 e R$ 26,4 milhões em 2014.

Segundo despacho emitido pelo juiz Sergio Moro, que conduz as investigações da Lava Jato, a Borghi/Lowe cobrava comissões de 10% (“de bônus de volume”) das produtoras, e esses “pagamentos vultosos” eram feitos, na verdade, para a Limiar (consultoria e assessoria de comunicação) e a LSI (solução em serviços empresariais), empresas ligadas ao ex-deputados federal André Vargas, ex-PT e atualmente sem partido, cassado pela Câmara em dezembro por ter ligação com o doleiro Alberto Youssef. O despacho cita fornecedores envolvidos: Conspiração, Sagaz e Zulu Filmes, além das produtoras de som E-noise e Attak.

Embora Moro afirme que não vislumbra, em princípio, responsabilidade dessas cinco produtoras, e considere que elas se envolveram de forma não intencional nos crimes, o juiz pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal de todas elas, assim como da BH Serviços, de titularidade de Ricardo Hoffmann. Já a Borghi/Lowe, além de ter quebrados seus sigilos bancário e fiscal, no período entre janeiro de 2009 e março de 2015, foi alvo de mandado de busca e apreensão, na sede em São Paulo e na filial de Brasília. A Polícia Federal recolheu documentos da agência relativos ao atendimento às contas do Ministério da Saúde e da Caixa.

Não foi citada no despacho do juiz Sergio Moro nenhuma outra agência de publicidade com contratos com Caixa (Artplan, Heads e Nova/SB) e Ministério da Saúde (Agnelo Pacheco, Calia/Y2 e Propeg), assim como não apareceu até agora nenhuma denúncia na Operação Lava Jato envolvendo as parceiras da Petrobras (FCB Brasil, Heads e NBS).

Via M&M.

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